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Fundação ligada ao PSDB pode ter causado rombo de R$ 20 mi

Fundação ligada ao PSDB pode ter causado rombo de R$ 20 mi”

A Justiça em Frutal aceitou denúncia contra o ex-secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais durante o governo de Antonio Anastasia (PSDB), Narcio Rodrigues (PSDB), e de outras 14 pessoas. Os danos aos cofres públicos, segundo a promotoria, foram de R$ 8,7 milhões.

Segundo o Ministério Público, um dos processos é relativo ao desvio de recursos na construção de um centro de tecnologia, em Frutal, em 2011, e na execução de diversas obras. "Como a propina foi solicitada por Narcio Rodrigues, que já foi presidente do diretório estadual do PSDB, pressupõe-se que o dinheiro tinha como função financiar as campanhas de um determinado partido", declarou. Frutal é a base eleitoral de Narcio, que já foi deputado federal.

O ex-presidente do PSDB de Minas Gerais está preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, desde 30 de maio, quando o MP deflagrou a operação Aequalis. Um está foragido. Além dos seis, outros oito envolvidos no esquema foram denunciados, todos ex-funcionários da secretaria e representantes de empresas que tinham contrato com o Estado para a construção e fornecimento de material para o centro. Umas delas é o primo em primeiro grau do ex-governador e atual senador Antonio Anastasia (PSDB), Waldemar Anastasia Polizzi. O parente do parlamentar não está entre os presos.

Na manhã deste sábado (2), a secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) confirmou a informação que o ex-servidor da secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Neif Chala, e o diretor do grupo português Yser, Hugo Murcho Hugo Alexandre Timóteo Murcho, presos pela Operação Aequalis foram soltos nesta sexta-feira (1º).

Segundo o promotor William Garcia Pinto Coelho, depois de descobrirem que estavam sendo investigados, houve tentativa de fraudes de documentos e obstrução da investigação, o que justificou os pedidos de prisão. As obras do Hidroex, no entanto, foram autorizadas em 2010, durante o governo de Aécio Neves (PSDB), hoje também senador.

Na outra denúncia oferecida pelo MP, os réus são suspeitos também de agirem para estabelecer um acordo ilícito com a multinacional portuguesa Yser, que teria participado de um esquema de lavagem de dinheiro para financiamento de campanha eleitoral, no segundo semestre de 2012.

Ainda conforme o promotor, em 2014, como contrapartida ao pagamento da propina, os denunciados desviaram cerca de R$ 4,7 milhões para uma empresa que integra o grupo Yser, e R$ 250 mil para a Fundação de Amparo à Pesquisa da Universidade Federal de São João Del Rei, por meio de um Termo de Cooperação Técnica. Mas trocas de e-mails comprovam a cobrança da propina tendo as eleições como justificativa, segundo o promotor. Esses valores fora transferidos para contas bancárias em paraísos fiscais em Samoa e Hong Kong. O MP está fechando parceria com autoridades internacionais para repatriação dos recursos. Os denunciados vão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e dispensa de licitação sem formalidades legais. A assessoria do senador disse, em nota, que "Anastasia defende que quaisquer denúncias devam ser rigorosamente apuradas pelos órgãos competentes e julgadas na forma da lei".

Investigações da Promotoria e da CGE (Controladoria-Geral do Estado) encontraram irregularidades na construção do "Cidade das Águas" e também na compra de equipamentos. Quando da licitação (03/06/11), portanto, Waldemar não era sócio da empresa. Segundo o engenheiro, a obra foi contratada em meados de 2011, mas foi executada depois que ele deixou a empresa. Após esse desvio, Narcio Rodrigues recebeu R$ 259 mil por meio de uma empresa no nome de um "laranja", aponta o Ministério Público. Segundo o relatório da CGE, a ordem de início da referida obra ocorreu em 05/03/12.

A CWP Engenharia informou que Waldemar Anastasia Polizzi não é mais sócio da construtora e que não vai se pronunciar sobre o assunto. Por isso, defendemos que todas as denúncias sejam devidamente apuradas pelos órgãos competentes e, uma vez comprovadas eventuais irregularidades, que os responsáveis sejam julgados na forma da lei. "Sobre denúncia de que recursos ilegais possam ter apoiado campanhas eleitorais de prefeitos em 2012, o PSDB desconhece qualquer irregularidade que possa ter sido cometida por algum candidato".

O advogado de Nárcio Rodrigues, Sanzio Baioneta, não atendeu a ligações feitas pela reportagem.



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